quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Valorize seu currículo - parte 1



O primeiro passo para conseguir entrevistas de emprego é ter um ótimo currículo (CV, ou Curriculum Vitae, résumé, como preferir ...). Ele deve ser encarado como uma peça publicitária cujo objetivo é vender um produto, VOCÊ ! Funciona também como instrumento de planejamento de carreira, comparando seu CV atual com o que gostaria de ter é possível traçar um plano de desenvolvimento que vai te ajudar a atingir seus objetivos. Esta série de artigos traz orientações sobre como elaborar o melhor curriculum possível. Seguem as primeiras dicas:

1. Seja honesto. Ética é fundamental no mundo dos negócios, nunca em hipótese alguma use informações falsas. Se for descoberto, além de perder a vaga, ficará com a imagem manchada no mercado. Sem contar que pode passar por uma saia justa no futuro ao ser exigido em alguma habilidade que não tenha, como falar inglês numa reunião por exemplo.

2. Seja seletivo e valorize sua experiência. Note como são as campanhas de lançamento de apartamentos, se é caro não fala o preço, se é pequeno não fala o tamanho, se é longe não mostra o mapa. Em nenhum destes casos estão sendo anti-éticos, estão apenas valorizando as melhores características de seu produto para gerar interesse nos potenciais clientes. A decisão final de compra será tomada somente após uma visita onde todas as informações serão conhecidas, da mesma forma que uma oferta de emprego só surgirá após a entrevista onde você seguirá a regra #1 acima e responderá honestamente qualquer pergunta que surja. Ao descrever suas experiências profissionais não inclua detalhes desnecessários ou desfavoráveis, destaque os aprendizados mais importantes e sempre que possível cite nomes de empresas e instituições conhecidas no mercado. Alguns exemplos hipotéticos:

- Ficou 4 meses desempregado? Não precisa destacar isso. A melhor estratégia seria indicar a data de início e fim de suas ocupações com anos, em vez de dia/mês/ano (2002 a 2003, em vez de 1-Jan-02 a 15-Maio-03), desta forma não fica explícito se você ficou desalocado um período.

- Trabalhou numa pequena agência de publicidade desconhecida em Maceió ? Melhor destacar atuação numa campanha que tenha feito para a Petrobras do que para o maior supermercado da cidade, mesmo que a segunda tenha sido 10 vezes maior. Se a vaga pretendida for no Rio de Janeiro nem precisa citar no CV que a posição era em Maceió, a não ser que queira mostrar que conhece várias regiões do Brasil.

- Trabalhou num banco sem nenhum reporte direto, mas cuidava de um budget de R$ 100 milhões ? Destaque sua responsabilidade sobre um grande valor e caso supervisione indiretamente outras pessoas inclua esta informação para mostrar experiência em liderança.

3. Simplifique. O seu currículo não é uma biografia, não é necessário explicar em detalhes tudo que você já fez, deve-se fazer uma breve descrição da função e citar os resultados mais significativos. Cuidado para não usar termos e siglas que ninguém entende fora da sua empresa, use a linguagem de mercado. Algumas empresas adoram batizar seus departamentos com nomes como "Gestão de Gente" e "Desenvolvimento de Negócios de Clientes", porém o que as pessoas no mundo real entendem mesmo é "Recursos Humanos" e "Vendas". Para tirar a dúvida pergunte para alguém de outro segmento da indústria se entende seu currículo. Consolide informações similares, o importante é passar a mensagem principal, maiores esclarecimentos serão feitos na entrevista. Por exemplo se você foi analista de marketing para cartões de crédito pessoais e depois de 6 meses acumulou também cartões corporativos não precisa tratar como duas funções, escreva que ficou 1 ano como analista de marketing de cartões de crédito.

4. Atualize seu CV pelo menos a cada 6 meses, sem exceções! E de preferência com versões em português e inglês (dica: o tradutor do Google é gratuito e surpreendentemente bom). Reveja todas as seções, reescreva as descrições para que fiquem mais claras e concisas, acrescente suas novas responsabilidades e resultados. Se não tiver muito o que mudar a cada 6 meses, atenção!, pode ser que você não esteja evoluindo.

No próximo artigo tratarei sobre como escrever o seu curriculum na prática, abordando formatos, seções, modelos, etc. Se quiser minha opinião sobre seu CV deixe um comentário com seus dados e terei prazer em ajudar.


Colaborou Renato Pinto

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Comece HOJE para chegar lá daqui a 5 anos


Onde você se vê daqui a 5 anos ? Esta pergunta, que está na lista das mais batidas de qualquer entrevista de emprego, é extremamente importante e deve ser encarada com muita seriedade. O objetivo aqui não é discutir as melhores estratégias para entrevistas, tratarei disso em outro artigo, a idéia é encontrar a verdadeira resposta a esta pergunta para seu próprio desenvolvimento.

Ter um objetivo é essencial para nosso sucesso. Se em alguns momentos não parece tão importante é porque estamos numa situação em que os próximos passos são relativamente óbvios: entrou na faculdade e quer se formar, foi contratado e pretende ser promovido, mora de aluguel e deseja seu primeiro apartamento, casou e quer ter filhos, etc. A necessidade de reflexão sobre seus objetivos pessoais e profissionais geralmente fica mais explícita após o sucesso ou fracasso das metas anteriores.

Seguem algumas dicas para ajudar a responder onde você quer estar daqui a 5 anos e chegar lá.

1. Focar na vida pessoal ou profissional ? Embora seja tentador achar que temos várias vidas infelizmente isto não é verdade. Ao planejar seu futuro você tem que pensar na sua vida como um todo, em todas as dimensões.

2. O que você realmente gosta de fazer ? A pergunta é fácil, mas a resposta correta é difícil de descobrir, até porque muda com o tempo. Um exercício que ajuda é relembrar qual foi o momento da sua vida profissional em que você foi mais feliz. Talvez você nem ganhasse muito ou não tivesse status, mas por alguma razão estava muito satisfeito e motivado, porque isso acontecia ? Para complementar a análise pode lembrar também do seu pior momento. Outro exercício é pensar que você ganhou R$ 100 milhões na Mega Sena e vai continuar a trabalhar, o que você faria ? Que características desta atividade te atraem tanto ? Lembre-se que boa parte dos milionários do mundo continua trabalhando, e muito, eles entendem bem suas motivações.

3. Peça opinião externa. É essencial discutir com sua família, amigos e colegas de trabalho de sua confiança. Você abre seus horizontes, vê possibilidades em que não estava pensando, uma idéia se encaixa na outra e seu objetivo vai ficando cada vez mais claro.

4. Crie uma visão, literal, de onde você quer estar em 5 anos, que traduza da melhor forma as reflexões feitas. Ela tem que ser desafiadora, com um quê de impossível, mas ainda dentro da realidade. Vamos imaginar por exemplo 2 gerentes de produto de 30 anos, que trabalham na mesma multinacional em São Paulo e entregam bons resultados. Ao fazer este exercício um pode concluir que daqui a 5 anos quer continuar solteiro, morando em Nova York, como diretor global de uma marca e com um Porsche na garagem. O outro pode se ver morando em Florianópolis, com 2 filhos, tocando um negócio próprio com sua esposa e dando aulas de marketing na universidade federal.

5. Faça um plano. Comece com a sua visão daqui a 5 anos e faça um planejamento regressivo, passo a passo, até os dias de hoje. O objetivo é ter em linhas gerais as principais etapas a serem cumpridas e quando. O plano não precisa ser muito detalhado e de forma alguma é imutável, pelo contrário deve ser repensado e refinado continuamente. Em pouco tempo este plano já vai começar a influenciar suas decisões. O primeiro gerente acima por exemplo pode tentar buscar algum treinamento no escritório de Nova York ou até marcar uma visita informal em suas férias para criar um network lá. Já o segundo negociaria com seu chefe uma flexibilização de horário para começar um mestrado stricto sensu numa boa faculdade.

6. Esteja pronto para mudar seu plano. Este é um processo contínuo, que tem que ser sempre repensado e discutido. Sua empresa pode ser vendida, você pode ser demitido (ou promovido), pode se casar ou se separar, pode vir um filho inesperado ou a gravidez planejada não acontecer. Surpresas como esta acontecem a todo o tempo e podem forçar uma mudança no seu plano ou até no seu objetivo.

7. COMECE HOJE. Esta é a dica mais importante. O primeiro passo do plano geralmente não exige nenhuma decisão radical ou grande investimento, basta vencer a inércia e tomar uma atitute. Exemplos do que você pode começar HOJE incluem atualizar e traduzir seu CV, pesquisar opções de MBA ou mestrado, conversar com o proprietário da franquia da esquina sobre a vida de pequeno empresário, começar o plano de negócios da sua idéia empreendedora, escrever a primeira página de seu livro, etc. E mesmo o segundo passo também não necessariamente é sem volta, o exemplo da visita a Nova York ou o mestrado citados anteriormente continuam sendo interessantes e relevantes mesmo que você mude seus objetivos depois. O investimento inicial para um pequeno negócio pode ser comparável ao custo de uma viagem de férias para a Europa, porque não fazer a experiência ?

E aí ? O que você vai fazer HOJE para chegar onde quer daqui a 5 anos ?

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Converse com seu CEO

*publicado também no HSM Update or Die

Esta semana o CEO da GE, Jeff Immelt, fez sua visita anual ao Brasil. Como de praxe reúne-se a empresa num auditório de hotel, mostra-se alguns vídeos, ele faz um discurso e depois vem a sessão de perguntas e respostas. Eu, assim como todos os demais funcionários da GE, fui convidado a participar. Ou seja, mais uma dessas inúteis reuniões corporativas para perder tempo, certo ? Errado !! Ótima oportunidade para desenvolvimento profissional.

O Jeff lidera uma companhia de 180 bilhões de dólares com presença em mais de 100 países, conversa frequentemente com presidentes dos principais países, lidera mais de 300.000 funcionários, sob várias óticas deve ser uma das 50 pessoas mais poderosas do mundo. Se você acha que não é importante ouvir o que ele fala recomendo refletir profundamente porque ele está lá e você aí.

Estes eventos também apresentam uma oportunidade rara, você pode conversar diretamente com seu CEO sobre o assunto que quiser! O caminho é a sessão de perguntas e respostas, porém isso inclui obrigatoriamente pegar o microfone na frente de 500 pessoas e falar em inglês com o número 1 da companhia ...

As pessoas tem várias objeções a fazer perguntas nestas ocasiões, e as principais são timidez ou achar que é bobagem. É comum ter medo, porém ele pode e deve ser trabalhado, e quanto antes começar melhor. E para quem acha que é bobagem eu discordo, minhas razões são:

1. Seu CEO adora responder perguntas. Ele quer ter contato com o time local em todos os níveis e quer saber as idéias e inquietações das pessoas.

2. A sua liderança local adora que as pessoas façam perguntas. Afinal, quem não quer mostrar que tem uma organização madura e proativa que tem o que falar com o CEO.

3. É um ótimo treinamento prático de como falar em público e lidar com pessoas de alto escalão. Quer goste ou não, quer se sinta confortável ou não, estes dois atributos são importantes para a evolução profissional.

4. Exposição. Mais pessoas vão te conhecer, e novamente, quer goste ou não, isto é importante para a evolução na carreira. Naturalmente não serão estes 2 min de exposição que farão a diferença, é apenas mais uma pequena contribuição para quem te conhece formar um pouco mais de opinião e quem nunca te viu saber que você existe.

5. Você vai aprender com a resposta dele, afinal é uma mini-consultoria gratuita de um grande líder global. E você naturalmente não vai fazer uma pergunta qualquer, só para marcar presença, certo ?

Agora que você se convenceu que é uma boa idéia perguntar para a sua liderança vem a questão: como fazer para começar ? É chegar no meio da apresentação, pensar em qualquer coisa, respirar fundo e ir para o microfone ? Não!! Minhas recomendações:

1. Pense na pergunta pelo menos uma semana antes. Algo que seja relevante, que você realmente queira saber, que inclua algum recado que você quer passar para o CEO. E por favor, sem perguntas sobre balanço entre vida profissional e pessoal, qual a estratégia da companhia ou se o Brasil é prioridade. Esta perguntas são lugar comum e todos sabem as respostas: Não tem vida pessoal para o CEO; a estratégia você encontra em duzentos lugares, inclusive no relatório anual; e é claro que ele vai falar que o Brasil é prioridade mesmo que não seja ...

2. Entenda o estilo do seu CEO. Como ele geralmente age nestes eventos ? Como lida com as perguntas ? Se você nunca viu uma apresentação dele pergunte a outras pessoas.

3. Pense bem como formular sua pergunta, traduza para o inglês, repita várias vezes inclusive em voz alta. Comece sempre se identificando, e não é só falando o nome, diga seu cargo e unidade de negócios de uma maneira que todos entendam.

4. Considere a possibilidade dele responder com outra pergunta. Pode parecer assustador mas é ótimo porque aí fica mais próximo de uma conversa. Tenha uma opinião formada sobre o assunto para poder discutir.

5. Tenha uma pergunta backup. Alguém pode falar a sua primeiro ou pode estar incluída numa resposta dele. E você não vai lá só para marcar presença ou repetir o que todo mundo sabe, certo ?

6. Sente-se nas fileiras da frente. Já que é para falar com ele que seja de perto. Além disso você fica focado só nele e não nas outras 500 pessoas que estão te olhando.

7. A mais importante, que vale também para muita coisa na vida profissional, não fique extremamente preocupado com o que os outros vão pensar. Acredite que qualquer que seja a sua pergunta uns 15% vão adorar, uns 15% vão achar ridículo e os outros 70% não estão nem aí. Isso vale também para as opiniões sobre você após a apresentação, elas vão desde "só quer aparecer, pergunta combinada, que inglês fraco" até "corajoso, boa pergunta, fala inglês fluente" passando por "pergunta ? quem ? onde ?".

Desta vez eu segui estas regras e fiz a pergunta para o Jeff, claro que deu um frio na barriga mas foi uma experiência muito legal. E ainda teve um bônus porque quando a sessão de perguntas e repostas foi aberta ninguém se mexeu por uns 30 segundos, já estava ficando chato e eu acabei levantando e sendo o primeiro, ele então imediatamente mandou uma piada "Brave guy! Give-me your name and I'll get you promoted this afternoon", foi ótimo para quebrar o gelo. Caso esteja curioso a pergunta foi sobre o tema "Integrated ‘One GE’ Strategy in India."

Após a apresentação, conforme esperado pela minha regra do 15/70/15, os amigos parabenizaram, a maioria das pessoas nada falou, e um ou outro insinuou que era pergunta combinada. E ainda fui procurado por um colega de outra unidade interessado numa potencial parceria de negócios. Saldo positivo na minha opinião.

Aproveite o ano novo e inclua na sua lista de promessas fazer uma pergunta para seu CEO na próxima oportunidade. E comece treinando hoje mesmo nas apresentações do diretor da sua área ou do presidente da operação no Brasil. Com o tempo vai ficando mais natural e você nem precisa se preparar tanto antes. Boa conversa com seu CEO !

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Empreendedorismo na universidade !! ... em Oxford

Tenho um amigo fazendo MBA em Oxford que comentou sobre uma iniciativa bem interessante deles de estímulo ao empreendedorismo.

Reza a lenda que certa vez um grande empresário estava proferindo uma palestra sobre empreendorismo para os alunos do MBA. Em meio a apresentação foi desafiado por alguém da platéia a sair das palavras e partir para ação financiando as idéias promissoras dos estudantes. O fim da história diz que ele aceitou e aportou 500 mil libras, a universidade mais 500 e criaram um fundo de venture capital focado nos estudantes da instituição.

Não sei se a história é exatamente essa, mas o fato é que o fundo existe e está em pleno funcionamento, confira em http://www.sbs.ox.ac.uk/centres/entrepreneurship/venturecreation

Acho esta iniciativa fantástica, onde todos tem a ganhar:

- os alunos do MBA que fazem parte do comitê seletivo tem oportunidade de analisar inúmeras empresas, adquirindo uma experiência riquíssima que os qualifica para empreender no futuro ou mesmo montar seus proprios fundos;

- os candidatos selecionados não só ganham o financiamento deste fundo mas também a chancela de aprovação de Oxford, o que gera credibilidade junto a clientes, fornecedores e também outros potenciais parceiros capitalistas. É comum conseguirem levantar o dobro do que receberam do fundo;

- e naturalmente a universidade e o capitalista suportando o fundo também ganham, pois partindo do princípio que Oxford é um centro de excelência que atrai a nata dos executivos globalmente é de se esperar que o retorno sobre investimento de um fundo gerido por eles seja bem interessante.

Sei que no Brasil temos várias iniciativas de financiamento a empreendedores na universidade, mas geralmente suportados pelo governo e bastante focados em pesquisa básica. Acredito que com a consolidação da estabilidade econômica e a grande expectativa de crescimento para o futuro, já é hora de começar a ter iniciativas semelhantes a de Oxford. Segundo outro amigo isso vai acontecer quando o juro real ficar abaixo de 4%, mais que isso não valeria o risco, vamos aguardar ...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O fim do petróleo

Geralmente nem leio artigos sobre o fim do petróleo, primeiro porque nunca concordo com posições alarmistas em geral, segundo porque sempre tem alguma teoria da conspiração envolvida que eu também abomino, e terceiro porque tenho algum conhecimento na área que me faz ter uma opinião formada de que isso não será um problema durante nossas carreiras (nem nossas vidas ...)

Mesmo com todos estes pré-conceitos resolvi ler o artigo da Anita McGahan, "Confronting the World’s Most Important Strategic Challenges:The End of Oil" e gostei muito!

Ela tem uma postura muito realista sobre o tema, mostrando com dados bem embasados que um eventual esgotamento do petróleo pode demorar até 100 anos. Ela aborda o problema do ponto de vista do planejamento estratégico e discorre sobre pontos de vista pouco usuais como o impacto na medicina e produção de alimentos.

O objetivo dela no artigo é "... to inspire the next generation of leaders to anticipate these challenges and to lead through them." No meu caso ela conseguiu!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

TTT> A dificuldade de prever o sucesso de uma inovação

-- Postado no site ToTheTop - www.tothetop.com.br --

Uma potencial barreira para inovação, especialmente em grandes corporações, é o desperdício de tempo e recursos em idéias que todo mundo sabe que vão dar errado. E não estou falando em idéias corajosas que quebram paradigmas, estou falando daquele lançamento furado que alguém convenceu o CEO que foi um sucesso num país qualquer da Europa e que vc é obrigado a lançar com uma campanha de marketing mal e porcamente dublada e daí a 6 meses tirar o produto de linha. Pensem quantas vezes não viram isto acontecer ...
Estes recursos seriam muito melhor aplicados para executar as boas idéias que também todo mundo conhece com uma mentalidade de venture capital, testa-se várias idéias com bom potencial e avalia-se frequentemente para desisir o mais cedo possível das que não vingarem e colher os frutos das que foram apostas certeiras.

Sobre a questão de aumentar a chance de sucesso das inovações gostaria de mencionar um treinamento que assisti recentemente com Chris Trimble, que escreveu juntamente com Vijay Govindarajan o livro Ten Rules For Strategic Innovators: From Idea To Execution. Ele tem uma abordagem bem interessante sobre o tema e mostra caminhos e exemplos de como criar um modelo organizacional que alimente a inovação enquanto garante a execução do dia a dia.

Algumas de suas idéias:
- grandes empresas bem sucedidas tornam- se "Performance machines", que são feitas para gerar repetidamente bons resultados com maior previsibilidade possível. Isto é ótimo e necessário, mas é um péssimo ambiente para gerar inovação. Quanto melhor ela for no que faz, maior será a queda quando uma grande quebra de paradigma acontecer (ex. Empresas de trem e navios líderes de transporte de passageiros antes da chegada do avião)

- Inovação tem muito mais a ver com execução do que boas idéias, estas com certeza já existem aos montes dentro da organização. Os responsáveis por inovação tem que ser medidos e ter resultados tangíveis, mas bem diferentes dos responsáveis por tocar o dia a dia, não é "NO metrics, NO rules" é "NEW metrics, NEW rules"

- O time de inovação tem que emprestar alguns ativos fundamentais da empresa mãe (exemplos: marca, capacidade de produção, relação com clientes, presença em mercados globais, etc). Ao mesmo tempo tem que se desvencilhar de aspectos que podem amarrar a inovação, ele cita até políticas de RH e IT. Será q as políticas-padrão permitem que vc contrate rapidamente toda uma equipe, que eles tenham perfil bem diferente (oposto?) do típico funcionário da empresa, que trabalhem com um monte de Macs e acessem sites de relacionamento 24h por dia ? As políticas fazem todo sentido para a performance machine, mas talvez te impeçam de montar o time que vai executar aquela grande inovação.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TTT>Quem ganha quando um iPhone é vendido?

-- Postado no site ToTheTop - www.tothetop.com.br --

Eu acho que estamos colocando muita importância no fator cadeia de suprimento quando na verdade o que interessa mesmo é ter um bom produto, e digo produto em todas as suas dimensões: tecnologia, design, relevância para o consumidor, distribuição, preço, cadeia de suprimento, qualidade, assistência técnica, publicidade, lançamento de novas versões, etc. Com certeza é difícil acertar em tudo mas se o produto for excepcional em alguns critérios e não decepcionar na maioria teremos um sucesso.
Ex 1. Bombril: como pode uma categoria como palha de aço ser tão relevante na cabeça da consumidora ? Marketing excepcional e não decepciona no resto.
Ex 2. Hyundai, boa tecnologia e baixo preço leva a um excepcional custo-benefício, LG é o mesmo caso.

Eu sou um cético por natureza e questionei a princípio tanto o Iphone quanto o Kindle. Ao testar um Iphone pela primeira vez achei fantástico "Porque não pensaram nisso antes ? E custa só $399 ? Quero um !". Ao testar o Kindle até me surpreendi porque minha expectativa era muito baixa "É 10x melhor do que pensei, mas porque eu compraria ? Custa $399 ? Nem se fosse $99!". Não acho que o Kindle seja uma má idéia, é uma tecnologia ainda nova que pode melhorar muito e render bilhões no futuro, mas simplesmente ainda não chegou lá. Não é um bom produto no conceito amplo do termo.

Um último comentário sobre Iphone vs Kindle, se por um lado o primeiro criou uma necessidade nova, o que realmente não é fácil, o Kindle se propõe a uma tarefa muito mais difícil que é substituir um produto de sucesso com mais de 500 anos de mercado.